A Fundição Progresso recebeu, mais uma vez, nessa sexta-feira (08/01) o rapper paulistano Criolo e sua banda, que cantaram sucessos antigos e as novas músicas do último CD lançado “Convoque seu Buda”.

A abertura do show ficou com a também rapper Karol Conka, que aqueceu o público com as suas músicas como “Tombei” e um cover de Rihanna com “Bitch Better Have My Money”, lançando notas falsas de dólar com seu rosto. Conka conquistou o público com seu carisma e forte posicionamento com questões políticas e sociais, mostrando as novas diretrizes que o rap vem tomando e se firmando com uma das mais fortes vozes femininas do rap nacional.

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Foto: Isabelle Saint Martin
Foto: Isabelle Saint Martin
Foto: Isabelle Saint Martin
Foto: Isabelle Saint Martin
Foto: Isabelle Saint Martin

Criolo subiu ao palco logo depois,  com figuras conhecidas de seu grande público, como o Dj Dandan e Daniel Ganjaman e o resto de sua forte banda, da qual o rapper insiste em exaltar as qualidades pessoais e musicais de cada membro. A humildade é um dos traços do rapper, além da sua veia poética que é tão frequente em suas letras. O cantor também mostrou seus posicionamentos perante os assuntos atuais, como a morte de sete jovens negros pela polícia carioca, a tragédia ambiental de Mariana e o fechamento de inúmeras escolas em São Paulo.

O show contou com sucessos, como “Não existe amor em SP”, “Grajauex” e “Bogotá”, além de canções de seu novo projeto “Convoque seu Buda”. Na música “Cartão de Visitas”, o belo vocal feminino de Tulipa Ruiz foi substituído pela voz de Daniel Ganjaman. “Casa de Papelão” e “Duas de Cinco”, canções do novo álbum, também foram lembradas pelo rapper. Cada rima e cada verso entram sem pedir licença no ouvido de cada um, provocando uma reflexão genuína feita por aquele que já vivenciou e sofreu na pele aquilo que tanto contesta, apesar do inflamado sucesso de “Nó na Orelha” (2011), Criolo se mantém humilde e altamente fixado a suas raízes.

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Foto: Isabelle Saint Martin
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Foto: Isabelle Saint Martin
Foto: Isabelle Saint Martin
Foto: Isabelle Saint Martin
Foto: Isabelle Saint Martin
Foto: Isabelle Saint Martin

Cada rima e cada verso estão absolutamente bem representados pela musicalidade de sua banda. A música de Criolo é uma das maiores representatividades daquilo que mais bem define a música brasileira: o poder da mistura de instrumentos e gêneros. Criolo mostra que a sua música vem da sua pele, a exaltação da música negra vem através de várias formas, seja pelo samba, seja pelo reggae (por várias vezes cita Bob Marley) ou seja pelo rap. Pela sua voz passam o swing, o ritmo e a alegria, sem nunca esquecer daquilo que tanto faz o seu povo sofrer e aquilo que ele, através da música, não se cansa de lutar: a injustiça, o racismo e a desigualdade social. No bis, cantou músicas do, não tão conhecido, início de sua carreira, canções como “Vasilhame”, “É o Teste” e “Tô pra Ver”.

Sempre com uma boa energia em seus shows, Criolo sempre cita a importância do amor em tudo aquilo que vivemos e lutamos, exalta a pluralidade das religiões, o respeito ao próximo e pede para valorizarmos nossos sonhos. Em um determinado momento do show diz que “a música é apenas um detalhe, o importante é o encontro.” Essa metáfora é muito bem ilustrada quando DJ Dandan pede que o público simplesmente se abrace. “Abrace a pessoa que está do seu lado”, diz. E assim foi feito, um mar de abraços inundou a Fundição Progresso e corroborou com o sentimento mais desejado (e mais importante) por Criolo e sua banda: o amor.

Ao final do show, ainda deu tempo para rapper dizer versos da música “Ainda há Tempo”, com uma ênfase maior no principal verso da canção: “As pessoas não são más, elas só estão perdidas”. Foi sob essa perspectiva esperançosa, que Criolo começou a terminar os últimos encontros da noite sob os aplausos fervorosos daqueles que compartilham sua música e seus sonhos.

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Foto: Isabelle Saint Martin
por Igor Galletti

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