Com 5 indicações ao Globo de Ouro e 6 indicações ao Oscar, o drama “Carol” estreou nos cinemas cariocas na última quinta-feira (14/01) e está despertando muita atenção do público e da crítica. O filme narra uma história de amor entre as duas personagens principais, além de ilustrar lutas por direitos em uma Nova York, dos anos 50. Cate Blanchett — indicada ao Oscar e ao Globo de Ouro, por melhor atriz —, no papel de Carol, uma elegante recém-divorciada e Rooney Mara — indicada ao Globo de Ouro, por Melhor atriz e ao Oscar, por Melhor atriz coadjuvante —, no papel de Therese Belivet, uma insatisfeita funcionária de uma loja de departamentos que resolvem, juntas, viajar de carro pelos Estados Unidos.

Sendo adaptação do romance “The Price of Salt”, de Patricia Highsmith, sob o pseudônimo de Claire Morgan, o filme é indicado ao Oscar na categoria Melhor roteiro adaptado. A direção de Todd Haynes é atenta aos detalhes, seja ao dar close em objetos da época ou nas fotografias de Therese, seja em enquadrar os rostos, as expressões e os olhares apaixonados das personagens. Além disso, a descoberta e a consolidação da sexualidade são um dos traços marcantes debatidos no filme, além da discussão dos padrões e valores morais impostos pela sociedade da época na qual combatia o diferente.

O diretor Todd Haynes — indicado a melhor diretor, pelo Globo de Ouro e pelo Oscar ­—teve o primoroso cuidado, junto a sua equipe, em ilustrar a sociedade da época: o jeito como as pessoas se vestiam — o filme também foi indicado ao Oscar de Melhor figurino — e comemoravam o Natal, as canções escolhidas para darem o tom a narrativa, as músicas que tocavam nos rádios da época, a presença marcante do jazz — também indicado ao Oscar de Melhor trilha sonora — e a ambientação: bares, restaurantes e hotéis.

Em uma época com padrões sociais preestabelecidos, dos quais quem fugisse era visto e condenado pela sociedade, o filme conta como essas tensões e convenções sociais — além desses valores morais pré-definidos, visto até nas leis americanas — influenciam negativamente o amor entre duas pessoas do mesmo sexo. Cate Blanchett e Rooney Mara, com atuações delicadas, conseguem passar ao público a construção de duas mulheres distintas e parecidas ao mesmo tempo. Carol, uma mulher elegante, rica e sedutora, contrastando com Therese, jovem, confusa e de classe média, porém ambas, apaixonadas, na busca da aceitação de quem realmente são, dentro de uma sociedade altamente conservadora.

Destaque também para a atuação de Kyle Chandler, como o ex-marido de Carol, Harge Aird, o homem que tem que lidar com o divórcio e orientação sexual da ex-mulher, estando ainda apaixonado, e todos os conflitos que iam contra o papel do homem de família da época.

“Carol” é um filme atento aos detalhes que gritam por direitos. Direitos esses negados e não entendidos pelas personagens, que o tempo todo, buscam entender e ir contra ao que lhes são negados. Infelizmente, algumas questões contestadas no filme, assim como alguns pensamentos retrógrados da época, ainda são encontradas na sociedade de hoje em dia. Apesar das discussões, das questões sociais e dos conflitos internos dos personagens, “Carol” não passa de uma bonita e delicada história de amor.

O Baú Urbano viu e aprovou!

NOTA

Clique na imagem abaixo para conferir as salas e os horários disponíveis para assistir “Carol”:

Os horários podem se modificar conforme a programação do cinema!

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here