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Joy – O Nome do Sucesso, longa americano, dirigido pelo diretor David O. Russel (Trapaça, O Lado bom da Vida), tem Jennifer Lawrence — indicada ao Oscar de melhor atriz — no papel de Joy, uma jovem mãe solteira, que virou uma das maiores empresárias americanas. O filme conta também com Robert de Niro, como Rudy, o pai de Joy e Bradley Cooper — como Neil Walker —, um diretor de um novo tipo de TV americana: a televendas.

David O. Russel começa o filme mostrando mulheres fortes — e esta já é uma marca do diretor, ter em seus longas fortes personagens femininos. Joy acerta em exaltar a força feminina dentro do mercado de trabalho, além da desconstrução de padrões sociais dos quais as mulheres enfrentavam — e ainda enfrentam — e a distorção do modelo feminino.

Nesse quesito, há o contraponto de duas mulheres: Joy e sua mãe. Virgina Madsen, como Terry, é uma aposentada dona de casa, que assiste novela o dia inteiro e parece ter aceitado e desistido de seus sonhos. Joy é uma mulher que faz tudo: conserta, lava, passa, cozinha e ainda é mãe de dois. Busca realizar seus sonhos, não só seus sonhos, mas busca o direito de ser bem-sucedida, de realizar suas metas que ela mesmo traçou desde criança.

O desafio de ser uma mulher assim entra em confronto não apenas com os padrões sociais. Além disso, não há somente a braba crise financeira vivida por Joy, mas também problemas com sua própria família, na qual enfrenta sentimentos como inveja, egoísmo e descrença. Joy tem sua maior fonte de apoio dentro da família em sua avó, Mimi — vivida por Diane Ladd— e sua filha.

O filme acerta até a metade do segundo ato, tendo seu melhor desempenho no primeiro ato. Nesse momento, o roteiro e o diretor acertam ao mostrar as dificuldades familiares, o processo criativo e a relação entre os personagens. Principalmente, quando entra em cena o ex-marido de Joy, Tony Miranne — vivido por Edgar Ramirez —, que arranca boas risadas com sua relação com seu ex-sogro Rudy, além do relacionamento com sua melhor amiga Jackie — vivida por Dascha Polanco (Orange is the New Black).

É interessante também voltar aos primórdios do que hoje é tão comum na televisão, mas que começou no início da década de 90 — época em que o filme se passa — e alçou a carreira de Joy: a televendas. A produção soube construir muito bem o cenário, o figurino e explorar esse lado televisivo com seus bastidores e personagens.

O que poderia ser o ponto mais forte do longa, acaba sendo seu ponto mais fraco: o terceiro ato, a parte final, cujo intuito é a resolução dos problemas enfrentados pela personagem principal. O diretor poderia ter escolhido dar mais atenção para o sucesso de Joy, ao invés de focar tanto em suas dificuldades. Evidente que explorar as dificuldades da personagem é de suma importância, mas também seria interessante para o telespectador ver a realização de suas conquistas, e isto, poderia ter sido melhor desenvolvido.

O diretor parece ter focado mais na atriz, Jennifer Lawrence, se preocupando em fazer cenas para que esta brilhasse, do que em construir melhor o desenvolvimento de sua personagem. Jennifer fez uma atuação correta, que não compromete, mas que não faz jus a uma indicação a um Oscar, muito menos a uma conquista de um Globo de Ouro de melhor atriz.

Por muitas vezes clichê, Joy exalta as oportunidades que os Estados Unidos oferecem — a falsa ilusão do sonho americano —, mesmo retratando uma mulher que conseguiu ser bem-sucedida apenas através de seu esforço.

O diretor acerta na trilha sonora — algo que também já virou sua marca registrada —, que dialoga e complementa muito bem as cenas. Entretanto, o filme vai perdendo seu glamour conforme vai se desenvolvendo e até a proposta de expor as dificuldades da mulher — seja no mercado de trabalho, seja na vida familiar e social — perde em aprofundamento. Com isso, a premissa, que parecia sedutora, fica lenta e enfadonha, transformando-se em uma série de clichês e sequências que em nada surpreendem.

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